Quem sou eu

Minha foto
Eu deveria saber me definir? Sou uma poesia!

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Como começar???!!???


“Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão.”
                                                                                                             Paulo Freire (1987)


Antes de tudo, foi e está sendo preciso mudar a forma que vejo o imigrante e como percebo o meu papel na sala de aula.  Essa visão que nos é passada de que os imigrantes são pessoas carentes, vulneráveis,  frágeis, nos colocando na posição de quem pode salvá-los, na verdade, faz sentirmo-nos em uma posição de superioridade em relação a eles. Por que eu acho isso? Vejo muitas pessoas pesquisando, debatendo, propondo leis sobre imigração, se disponibilizando a facilitar o aprendizado do idioma. É ótimo ver tanta gente envolvida com essa causa, tão menosprezada por nossos governantes, porém, não vejo imigrantes como protagonistas desses espaços: nos grupos de pesquisa, nas discussões no senado sobre a lei 6 815, nos debates sobre sua situação, na construção de materiais e planos de aula para sua aprendizagem. Como os não imigrantes podem contribuir para mudar uma realidade que desconhecem, não vivenciam? Ou como podem se sentir no direito de dizer ou propor quais são as formas de melhorar o processo migratório? Tem uma música do Tom Zé que exemplifica bem o que tento dizer, chama-se Classe Operária: 

Sobe no palco o cantor engajado Tom Zé
que vai defender a classe operária, 
salvar a classe operária
 e cantar o que é bom para a classe operária.
Nenhum operário foi consultado
não há nenhum operário no palco 
talvez nem mesmo na plateia, 
mas Tom Zé sabe o que é bom para os operários. 
Os operários que se calem, 
que procurem seu lugar, com sua ignorância, 
porque Tom Zé e seus amigos
estão falando do dia que virá
e na felicidade dos operários.




Não temos a solução para os problemas de ninguém, quando mais de um grupo inteiro, ela não existe pronta. Eu sei apenas de mim, da minha posição de maior conforto por saber a língua portuguesa, dominar as regras de convívio social, sentir-me integrada e não ter minha identidade cultural em conflito. Minha vivência como brasileira me proporcionou conhecer e entender nossos processos culturais, normas e procedimentos e saber onde procurar informações de coisas que desconheço. Há uma infinidade de assuntos que podem resultar a partir disso e serem trabalhados de inúmeras formas. Por onde iniciar? Quais assuntos são mais imediatos? De que forma trabalhá-los? Como saber o que mais angustia esses imigrantes? Mais impactam no seu dia-a-dia? Que significado estão dando para suas experiências no novo contexto? É PRECISO OUVI-LOS!

sábado, 8 de outubro de 2016

Encontro com o ensino de português para imigrantes: quando o meu curso ganhou sentido para mim.




Sabe quando alguém não tem dicção nenhuma, fala super baixo e não consegue contar uma história, por mais simples que ela seja, de forma coerente? Você acredita que uma pessoa assim possa tornar-se professora? Se você não acredita, saiba que é possível e eu sou uma grande prova disso (carinha de superação).  
Estava cursando o sexto semestre do curso de Letras- PBSL, já tinha pegado todas os módulos livres,  optativas e quase nada das matérias obrigatórias, quando descobri o trabalho com os imigrantes. Eu não tinha muita perspectiva com o meu curso, as áreas de trabalho que os professores apresentavam não me eram nada atrativas. No início, queria trabalhar com os povos indígenas, eu tinha uma visão muito romantizada a respeito, embora tivessem professores dessa área, eu não gostava da proposta e da forma como eram esses trabalhos: muito na perspectiva de estudá-los, falar sobre eles. Outra área constantemente incentivada era o trabalho com estrangeiros, nas escolas de línguas e embaixadas, da qual tinha menos interesse. Diante disso, procurei cursar outras matérias com o desejo de mudar de curso, fiz matérias e participei de projetos ligados à áreas mais interdisciplinares.  Um deste foi o projeto Práticas multidisciplinares para o acompanhamento de estudantes indígenas na Universidade de Brasília, coordenado pelo professor Umberto Euzébio. Demorei para entender sua proposta e por isso contribui muito pouco, mas adorava participar das reuniões com os indígenas, as coisas foram fazendo sentido a cada fala, como se eu começasse a aprender a verdade, ouvi-la de quem realmente deve ser escutado. Esse foi o mesmo coordenador, que pouco mais de um ano depois, convidou-me para participar do projeto com os imigrantes, do qual faço parte até hoje. Lá eu me descobri professora entre outras descobertas que me aprofundarei ao longo das postagens. Foi encanto a primeira vista e tive a forte sensação que estava no curso certo, o que me estimulou a ficar das 8 às 21 horas na universidade todos os dias, até nas férias, para recuperar o tempo perdido e me formar logo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Meus objetivos


     Abro esse blog com a intenção de trocar experiências sobre o ensino de língua para imigrantes, especialmente os que vieram contra sua vontade e que mais precisam de auxílio nesse processo de inserção. Acredito que somente por meio da experiência e de muita escuta sensível em sala de aula, conseguiremos construir um modelo de ensino que seja de real interesse para este público, com métodos onde o conteúdo parta da vivência do aluno e o ajude na sua caminhada por esse novo destino.
   Meu encontro com os imigrantes aconteceu no final de 2013, quando conheci uma turma de haitianos que estavam aprendendo português do Brasil no Varjão e em janeiro do ano seguinte tornou-se um projeto da Universidade de Brasília, do qual faço parte até hoje. Desde então, eles tem me proporcionado momentos de muita aprendizagem e felicidades. Concluí minha graduação no curso de Letras- Português do Brasil como Segunda Língua e trilho meu caminho pesquisando sobre educação, letramentos, identidade, integração aplicando-os na minha construção como professora de L2.