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sábado, 8 de outubro de 2016

Encontro com o ensino de português para imigrantes: quando o meu curso ganhou sentido para mim.




Sabe quando alguém não tem dicção nenhuma, fala super baixo e não consegue contar uma história, por mais simples que ela seja, de forma coerente? Você acredita que uma pessoa assim possa tornar-se professora? Se você não acredita, saiba que é possível e eu sou uma grande prova disso (carinha de superação).  
Estava cursando o sexto semestre do curso de Letras- PBSL, já tinha pegado todas os módulos livres,  optativas e quase nada das matérias obrigatórias, quando descobri o trabalho com os imigrantes. Eu não tinha muita perspectiva com o meu curso, as áreas de trabalho que os professores apresentavam não me eram nada atrativas. No início, queria trabalhar com os povos indígenas, eu tinha uma visão muito romantizada a respeito, embora tivessem professores dessa área, eu não gostava da proposta e da forma como eram esses trabalhos: muito na perspectiva de estudá-los, falar sobre eles. Outra área constantemente incentivada era o trabalho com estrangeiros, nas escolas de línguas e embaixadas, da qual tinha menos interesse. Diante disso, procurei cursar outras matérias com o desejo de mudar de curso, fiz matérias e participei de projetos ligados à áreas mais interdisciplinares.  Um deste foi o projeto Práticas multidisciplinares para o acompanhamento de estudantes indígenas na Universidade de Brasília, coordenado pelo professor Umberto Euzébio. Demorei para entender sua proposta e por isso contribui muito pouco, mas adorava participar das reuniões com os indígenas, as coisas foram fazendo sentido a cada fala, como se eu começasse a aprender a verdade, ouvi-la de quem realmente deve ser escutado. Esse foi o mesmo coordenador, que pouco mais de um ano depois, convidou-me para participar do projeto com os imigrantes, do qual faço parte até hoje. Lá eu me descobri professora entre outras descobertas que me aprofundarei ao longo das postagens. Foi encanto a primeira vista e tive a forte sensação que estava no curso certo, o que me estimulou a ficar das 8 às 21 horas na universidade todos os dias, até nas férias, para recuperar o tempo perdido e me formar logo.

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